Na América Latina, as PME representam 99,5% do total de empresas, mas 80% delas falham nos primeiros cinco anos devido a uma má gestão do fluxo de caixa. Por que razão o setor bancário continua a falhar-lhes? Descubra como o Banco de Crédito del Perú (BCP) mudou o paradigma ao integrar o motor de IA da Coinscrap Finance para transformar dados transacionais brutos num poderoso «CFO digital» preditivo.
Bem-vindo à nova era da banca personalizada
Na América Latina, as micro, pequenas e médias empresas (MPME) não são apenas mais um segmento de mercado; são, literalmente, a força motriz da região. De acordo com dados oficiais do Ministério da Produção (PRODUCE), só no Peru representam 99,5 % do setor empresarial e representam mais de 60 % do emprego formal.
No entanto, por trás destes dados macroeconómicos esconde-se uma realidade silenciosa e dolorosa: 80 % destas empresas falham antes de completarem cinco anos. A principal causa? Uma má gestão do fluxo de caixa e a falta de ferramentas simples para compreender a sua situação financeira no dia-a-dia.
É aqui que surge o grande paradoxo do setor financeiro: enquanto o proprietário de uma PME passa noites em claro a conciliar folhas de cálculo manuais, o seu banco detém milhões de dados transacionais que poderiam salvar a sua empresa. O problema é que esses dados estão presos numa linguagem enigmática e incompreensível.

«Ruído» transacional: a barreira invisível entre o banco e as PME
Para um empresário, verificar o extrato bancário da empresa é muitas vezes uma experiência frustrante. Os códigos de transação bancária, tais como “TRF-V-99238-SUN” ou “COMPRA-POS-LIM-22” não têm qualquer valor estratégico. São simplesmente «ruído» nos dados.
As ferramentas tradicionais de banca móvel para empresas foram concebidas como canais puramente transacionais (efetuar transferências, pagar salários e consultar saldos). Mas as PME modernas já não procuram uma carteira digital; é necessário um consultor financeiro. Não conseguindo encontrar esta solução na sua instituição financeira de confiança, os clientes empresariais são obrigados a procurar soluções externas de software de contabilidade ou, pior ainda, a operar às cegas, aumentando o risco de falência.
A principal conclusão para os bancos: Oferecer crédito já não é suficiente para manter o segmento de negócios. O verdadeiro valor e a vantagem competitiva residem hoje na oferta de inteligência de gestão.
O caso da BCP: transformar dados brutos num «CFO digital»
Conscientes desta lacuna estrutural no mercado peruano, Banco de Crédito do Peru (BCP) —líder indiscutível, com mais de 35 % da quota de mercado da banca empresarial— decidiu mudar o jogo. Em vez de desenvolver uma solução a partir do zero, o que teria levado anos, estabeleceu uma parceria com Coinscrap Finance para integrar o nosso motor de inteligência de dados COCO no seu ecossistema empresarial.
O resultado? O lançamento de um produto de última geração Business Finance Manager (BFM) que funciona como um diretor financeiro (CFO) virtual para milhares de empresas.
Ao utilizar Inteligência Artificial Vertical e Processamento de Linguagem Natural (NLP) adaptados às condições locais (identificando automaticamente impostos como o SUNAT, contribuições para a segurança social e o ecossistema Yape), o BFM da BCP permite:
- Limpeza e enriquecimento: Converta os códigos internos do banco em nomes comerciais claros e nos respetivos logótipos oficiais.
- Categorização operacional: Classificar automaticamente as transações nas principais contas da empresa (Fornecedores, Folha de Pagamentos, Impostos, Logística).
- Previsão de fluxo de caixa: Identificar despesas recorrentes para alertar o empresário sobre futuras obrigações de pagamento antes que estas afetem a sua liquidez.
Resultados que falam a língua dos executivos de topo
Os resultados desta parceria demonstram que zelar pelo bem-estar financeiro dos clientes é a melhor estratégia empresarial para o banco. A integração permitiu-nos atingir indicadores que têm um impacto direto no retorno do investimento:
- Precisão imbatível: Uma taxa de classificação superior a 90%, especificamente treinada para a semântica financeira do mercado andino.
- Envolvimento multiplicado: Os clientes empresariais acedem agora à aplicação, em média, 2,5 vezes mais vezes, transformando a banca móvel numa ferramenta estratégica de referência no dia-a-dia.
- Vendas cruzadas inteligentes: O banco compreende agora a «fase de desenvolvimento» de cada PME individualmente, alcançar um aumento de 15% na conversão de financiamento e produtos de crédito para capital de giro oferecidos exatamente no momento em que são necessários.
Como indicava Lorena Cépeda Aliaga, da equipa de Gestão de Produtos da BCP, salienta, com razão: «A Coinscrap permitiu-nos oferecer aos nossos clientes PME uma ferramenta para gerir as finanças das suas empresas, ajudando-nos assim a estabelecer uma ligação com eles e a compreender melhor as suas necessidades.»
O futuro da banca empresarial: da venda de produtos à prestação de aconselhamento 24 horas por dia, 7 dias por semana
A história de sucesso da BCP serve de exemplo para toda a região. Ela demonstra que a transição para Finanças Empresariais Abertas não se trata de lançar funcionalidades complexas para cumprir os requisitos regulamentares, mas sim de facilitar a vida aos empresários.
Quando um banco ajuda uma PME a compreender as suas despesas e a proteger o seu fluxo de caixa, deixa de ser um prestador de serviços genérico e torna-se um parceiro indispensável. A inteligência de dados permite ao banco aconselhar milhares de empresas em tempo real, 24 horas por dia, 7 dias por semana e em grande escala, sem sobrecarregar a sua equipa dedicada de executivos.
O mercado de língua espanhola necessita urgentemente de recuperar a sua solidez financeira, e as instituições que forem as primeiras a transformar os seus dados transacionais em informações úteis para a gestão de tesouraria serão as que liderarão a próxima década.
Gostaria de saber mais sobre os pormenores técnicos e metodológicos deste projeto?
Elaborámos um relatório técnico exaustivo de seis páginas, no qual detalhamos a arquitetura, as fases do projeto e as principais lições aprendidas com a implementação do BFM no principal banco do Peru.
👉 Descarregue o documento técnico: Caso de sucesso da BCP e da Coinscrap Finance
Perguntas Frequentes (FAQs)
Qual é a verdadeira diferença entre um PFM tradicional e um BFM para as empresas?
Enquanto um PFM (Gestor de Finanças Pessoais) se concentra na gestão do orçamento familiar e das poupanças pessoais (por exemplo, lazer, compras de supermercado, contas domésticas), um BFM (Gestor de Finanças Empresariais) foi concebido para garantir a sobrevivência operacional de uma empresa.
O BFM analisa e classifica os dados de acordo com uma taxonomia corporativa rigorosa: impostos e taxas nacionais, pagamentos de salários, pagamentos a fornecedores estratégicos e custos logísticos (OPEX). Além disso, um BFM não visa apenas «poupar dinheiro», mas também fornecer ferramentas de gestão de tesouraria e previsão de fluxo de caixa para evitar a falta de stock ou o incumprimento de dívidas.
Como é que o motor da Coinscrap Finance consegue atingir uma taxa de precisão superior a 90% em mercados locais da América Latina, como o Peru?
Os sistemas de inteligência artificial de uso geral falham frequentemente nos mercados locais porque não compreendem as siglas regulamentares nem os nomes de marcas locais. O motor Coinscrap Finance utiliza IA vertical e Processamento de Linguagem Natural (NLP) especificamente treinados para o setor financeiro de língua espanhola.
No caso do BCP, o motor foi calibrado para identificar e interpretar de forma nativa transações críticas, tais como pagamentos de impostos à SUNAT, contribuições de saúde à EsSalud e o processamento em massa de microtransferências no ecossistema Yape, conseguindo filtrar o «ruído» dos registos de transações e classificá-los com uma precisão de 92%.
No caso de um banco de grande dimensão, quanto tempo demora a integração desta tecnologia e qual é o prazo de lançamento do produto no mercado?
Uma preocupação recorrente para as instituições de Nível 1 e Nível 2 é a lentidão do desenvolvimento interno, que normalmente demora entre 12 e 18 meses. A arquitetura modular da Coinscrap Finance, baseada em APIs robustas e seguras, permite dissociar a inteligência de dados do rígido sistema bancário central do banco.
Ao seguir a metodologia ágil aplicada ao projeto BCP (fases de integração, formação local e controlo de qualidade), o principal banco do Peru conseguiu lançar a sua solução num tempo recorde — aproximadamente 12 semanas —, reduzindo assim os custos de desenvolvimento e obtendo uma vantagem competitiva imediata.
De que forma o BFM afeta a conta de resultados do banco emissor (ROI)?
O retorno do investimento reflete-se em três áreas de negócio mensuráveis:
- Eficiência operacional: Ao melhorar e clarificar as descrições dos comerciantes (adicionando logótipos e nomes reais), as chamadas para o centro de atendimento relativas a «cobranças não identificadas» são drasticamente reduzidas.
- Maior envolvimento: Conforme demonstrado na BCP, a frequência de utilização da aplicação empresarial aumentou 2,5 vezes, reforçando o valor do canal digital.
- Venda cruzada inteligente de produtos de crédito: Ao mapear o fluxo de caixa real das PME em tempo real, o banco consegue prever quando uma empresa irá necessitar de financiamento (capital de exploração) e lançar ofertas pré-aprovadas e hiperpersonalizadas, alcançando aumentos de até 15 % nas taxas de conversão de empréstimos.


